segunda-feira, 18 de junho de 2012

Documentos detalham tortura sofrida por Dilma na ditadura



Em relato inédito, a presidente Dilma Rousseff contou detalhes de sessões de tortura às quais foi submetida na prisão em Juiz de Fora (MG), quando presa política, na década de 1970. Ela narrou seu sofrimento ao Conselho dos Direitos Humanos de Minas (Conedh-MG), que a ouviu em 2001, nove anos antes de ascender ao Planalto. O depoimento, divulgado pelo jornal “Estado de Minas” neste domingo (17), expõe um capítulo ainda pouco conhecido da militância política da petista: os castigos em seu estado natal, onde iniciou a trajetória subversiva.
A literatura sobre a militância política da presidente registra fartamente informações sobre a passagem de Dilma pelos calabouços da ditadura no Rio e em São Paulo. No depoimento, ela lembra que foi colocada no pau de arara, tomou choques elétricos, apanhou de palmatória e foi submetida a socos.
“Minha arcada girou para o lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu”, relatou, segundo o documento. Ela conta ainda que os torturadores ameaçaram agredi-la no rosto, dizendo que, depois deformada, “ninguém ia querê-la”. As sequelas no maxilar só teriam sido corrigidas depois que ela assumiu cargos no governo Lula, em 2002, por meio de cirurgias.
A presidente foi ouvida pelo Conedh-MG no Rio Grande do Sul, quando era secretária de Estado de Minas e Energia. O depoimento fazia parte de processo aberto por determinação do então governador Itamar Franco para indenizar militantes mineiros. Dilma teria resistido em fazer o relato, tendo resolvido falar apenas na última hora. Ela não precisava falar para ser indenizada, porque já havia provas da tortura que sofrera, mas entendeu que era importante registrar os fatos para a História. No ano seguinte, foi indenizada em R$ 30 mil.

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