As investigações na seara administrativa seguem em andamento
A Controladoria Geral
de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD)
instaurou conselhos de disciplina para apurar condutas de policiais militares
suspeitos de crimes, como, o comércio ilegal de arma de fogo e manter sob sua
guarda armas, munições ou acessórios de uso restrito sem autorização.
As portarias foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE). Em ambos os
casos os agentes investigados são cabos da Polícia Militar do Ceará (PMCE), que
também respondem a processos na esfera criminal.
Um dos militares é Eliosmar Gomes da Silva,
que "supostamente praticara crime de comércio ilegal de arma de fogo
juntamente com o indivíduo identificado como Francisco Fábio Rodrigues da Silva, pelo menos entre os anos de
2020 a 2023".
A dupla foi denunciada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) no ano passado.
Eles se tornaram réus quando a Justiça aceitou a acusação, no último mês de
julho.
ANÁLISE DE CONVERSAS - Francisco Fábio foi
preso por posse ilegal de arma de fogo e teve o celular apreendido. Quando a
Polícia analisou conversas registradas no aparelho, chegaram ao nome de
Eliosmar como possível fornecedor de armas.
Em março de 2024, as autoridades compartilharam o relatório com a Delegacia
de Assuntos Internos (DAI) da CGD. No documento constam diversas situações de
compra e venda de material bélico (armas e munições).
Nas conversas, Fábio e Eliosmar negociavam os materiais, sendo que o PM
"vendia e expunha a venda (de modo online) de armas e munições, ao passo
que Fábio também adquiria ou oferecia para outros contatos".
'MILÍCIA PRIVADA' - O cabo Marcelo Moreira Marcelino é investigado
na seara administrativa "por ter praticado, em tese, o crime de possuir,
deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua
guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem
autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar".
No dia 4 de dezembro de 2025, Marcelo foi preso em flagrante em Fortaleza,
"em virtude de operação para cumprimento de mandado de busca e apreensão
expedido".
Na casa do policial militar foram encontradas uma granada, munições de
diversos calibres, uma pistola Glock cal.40 e três carregadores.
Outros quatro PMs são
investigados no mesmo processo de Marcelo. Todos eles são alvos de operação do
Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) deflagrada para desarticular a "constituição de milícia privada".
O grupo foi identificado a partir da oitiva de um preso identificado como Lucas Bastos de Sousa "que prestou
informações no sentido da existência de uma possível organização criminosa
formada por agentes da Segurança Pública do Estado do Ceará e
informantes".
Em 2021, Lucas foi
preso e com ele apreendida a arma que estava em nome de um policial penal.
Quando interrogado, o suspeito teria afirmado que atuava como colaborador de um
'grupo miliciano' (termo utilizado por ele), após ser torturado por policiais
que fazem parte do referido grupo".
O objetivo da 'milícia privada', segundo o MP, seria "o cometimento de
diversos crimes, notadamente extorsão. Assim, a presente medida cautelar se faz
necessária para a colheita de maiores indícios de autoria e materialidade para
subsidiar a futura exordial acusatória".
O MP pediu ao subcomando-geral da PMCE que suspendesse temporariamente as
funções públicas do suspeito.
Outro PM suspeito nesta investigação é Igo
Jefferson Silva de Sousa, o 'Igo Negão', acusado de estar por trás de uma
série de crimes na região do Grande Pirambu.
Segundo o Ministério Público do Ceará, 'Igo Negão' atuaria em conjunto em
'grupo de extermínio e extorsões contra criminosos e também estava a frente de
crimes como tráfico de drogas e comércio de armas de fogo.
VENDA DE BICICLETAS - No Diário Oficial do
Estado (DOE) foram instaurados outros processos administrativos disciplinares
contra mais policiais.
Um dos casos, é o do policial penal Claudson
da Rocha Etelvino, investigado porque "teria realizado a venda de
bicicletas de alumínio doadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará, em 26 de
maio de 2023, para o 'Projeto Vida que Segue', implantado na Unidade Prisional
Francisco Hélio Viana de Araújo, apesar da proibição constante do termo de
doação".
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