quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Operação investiga suspeita de fraude em compra de caixas de papelão por R$ 99 pela prefeitura de Várzea Alegre

 Ação foi realizada na manhã desta quinta-feira - Em novembro, denúncia de vereador apontou indícios de superfaturamento na compra de itens para laboratórios de matemática

Uma operação do Ministério Público do Ceará foi realizada, na manhã desta quinta-feira (22), após denúncias de superfaturamento na compra de materiais para escolas de Várzea Alegre, no interior do Ceará. Em contrato firmado pela prefeitura, mais de 1 mil caixas para guardar jogos educativos foram compradas por R$ 99 por unidade. A suspeita de superfaturamento foi noticiada em novembro de 2025.
Em nota, a Secretaria de Educação de Várzea Alegre afirmou que "acredita na legalidade do processo de contratação do material" e que colabora com as autoridades competentes.
A operação foi conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Várzea Alegre, que havia recebido, em novembro de 2025, ofício contendo denúncia sobre o contrato para aquisição de kits para implementar laboratórios de matemática em escolas do município.
O contrato investigado tem valor total de R$ 852 mil firmado em agosto de 2025 com a empresa Interdisciplinar Educacional LTDA, de Fortaleza.
Nos documentos, aparecem valores como: armário de R$ 23 mil, jogos pedagógicos de R$ 18 mil e conjuntos de cinco livros didáticos por R$ 23 mil.

Denúncia e comparação de preços - Uma denúncia anônima baseou o levantamento de informações feito pelo vereador de oposição Michael Martins (PSB). Em novembro, ele fez uma visita de fiscalização à escola Dr. Dário Batista Moreno, após a entrega do laboratório de matemática na unidade.
Em vez de caixas de MDF, que custavam R$ 99 cada no processo licitatório, foram encontradas caixas de papelão.
À época, a Secretaria Municipal da Educação respondeu que o contrato foi conduzido "dentro de todos os preceitos legais e regulamentares que regem as licitações públicas, refletindo as melhores práticas de mercado".
A pasta também apontava que as caixas de papelão mostradas pelo vereador em vídeo nas redes sociais eram apenas materiais que foram utilizados no transporte dos itens comprados. Segundo a gestão, as caixas de MDF ainda seriam entregues.
Em ofício encaminhado ao Ministério Público apontando a suspeição de superfaturamento, o vereador Michael Martins também fez comparativos dos preços dos produtos comprados pela Prefeitura com os que aparecem em pesquisas na internet.
Esta comparação foi possível para produtos com marca definida, buscando as mesmas especificações. Conforme o vereador, as principais diferenças eram:

Projetor multimídia: licitado por R$ 5 mil e encontrado por R$ 2,1 mil em lojas virtuais

Mesa digitalizadora: licitada por R$ 3 mil e encontrada por R$ 320 em lojas virtuais

Notebook: licitado por R$ 6 mil e encontrado por R$ 1,9 mil em lojas virtuais

Para produtos sem marca própria, o parlamentar faz questionamentos sobre os valores definidos na licitação. Mesmo sem padrão de referência para alguns materiais, como um armário de especificações próprias e as coleções de livros didáticos, o parlamentar defende que os valores são “irreais e exorbitantes”.
Após operação do Ministério Público na manhã desta quinta-feira (22), a Prefeitura informou que prestará as informações necessárias às autoridades competentes. 

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