Vereador de Morada Nova preso em operação da PF, Júnior do
Dedé obteve direito de ficar em prisão domiciliar
Um dos cinco vereadores
presos na última quinta-feira (12) durante operação contra financiamento ilegal
de campanhas eleitorais, José Gomes da
Silva Júnior, conhecido como Júnior do Dedé (PSB), obteve, nesta
segunda-feira (16) na Justiça o direito de permanecer em prisão domiciliar por
ser advogado. Ele deve utilizar
tornozeleira eletrônica.
A "Operação Traditori",
deflagrada pela Polícia Federal, investiga o suposto financiamento ilícito da
facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais no município
de Morada Nova em 2024. Os agentes cumpriram 16 mandados de prisão preventiva -
sendo cinco contra os vereadores, entre eles Júnior do Dedé. Os vereadores
presos foram afastados das funções públicas.
A defesa de Júnior entrou com um pedido de habeas corpus alegando que o
vereador possui inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que,
por lei, lhe dá o direito de ficar em uma Sala de Estado-Maior, "com
instalações e comodidades condignas", ou em prisão domiciliar. Dedé estava
preso na Delegacia de Capturas, em Fortaleza, local que, conforme sua defesa,
não possui a infraestrutura à qual ele teria direito por exercer a advocacia.
A defesa do vereador alegou ainda que não haveria, no sistema prisional do
Ceará, nenhuma sala com essas condições, por isso mantê-lo em uma prisão comum
"configuraria constrangimento
ilegal". A defesa destacou que, preso na delegacia, o vereador
"se vê privado de sua liberdade de locomoção em um ambiente hostil e totalmente
desconforme com as prerrogativas de sua profissão".
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) acatou o pedido da defesa,
destacando que o advogado não foi condenado e está em prisão preventiva, por
isso tem direito a estas salas especiais ou prisão domiciliar. A Corte ordenou
ainda que ele utilize tornozeleira eletrônica, não saia de casa e não mantenha
contato com nenhum dos envolvidos no processo, entre outras medidas cautelares.
Vereadores são alvos de operação da PF contra financiamento
de campanhas eleitorais por facção em Morada Nova
A operação da Polícia
Federal que levou à prisão dos cinco vereadores de Morada Nova teve início após
um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas identificar transações
financeiras da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais
do município em 2024.
Conforme a Delegacia de Morada Nova, uma investigação iniciada em 2024 levou à
prisão, no início de 2025, de cerca de 21 alvos da facção, entre eles o
responsável financeiro na região. Ao analisar as movimentações financeiras, os
investigadores descobriram transferências de um dos criminosos para campanhas
eleitorais de 2024.
Os investigados são suspeitos de cometer os crimes de lavagem de dinheiro,
organização criminosa, tráfico de drogas, além de crimes eleitorais. Os vereadores não são suspeitos do crime de
tráfico de drogas.
Por envolver crime eleitoral, a Delegacia de Morada Nova compartilhou as
informações com a Polícia Federal, que iniciou as próprias investigações
relacionadas ao envolvimento do grupo criminoso com as eleições municipais.
Quem são os vereadores presos
O presidente da Câmara Municipal de Morada Nova, Hilmar
Sérgio (PT), está entre os vereadores presos nesta
quinta-feira (12) na "Operação Traditori". Conforme apurado com uma
fonte da Câmara Municipal, foram presos pela Polícia Federal os seguintes
vereadores:
Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova.
Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora da Câmara
Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT).
José Regis Nascimento Rumão (PP).
José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB), que está licenciado da vereança e, desde setembro de 2025, atua como
secretário de administração da Prefeitura de Morada Nova. Foi para prisão
domiciliar.
Conforme o Tribunal
Regional Eleitoral (TRE), a decisão também teve como alvo o ex-vereador José
Weder, cujo mandato havia sido cassado pela Justiça Eleitoral. Em relação a
ele, foram autorizadas medidas de busca e apreensão, além de cautelares
patrimoniais, não tendo sido decretada prisão.
A Câmara, que é formada
por 15 vereadores, divulgou uma comunicado nas redes sociais do órgão
informando sobre a suspensão das atividades nesta quinta-feira. A
vice-presidente da Câmara, a vereadora Jane Martins, disse que sessão
legislativa foi iniciada, mas teve que ser encerrada logo em seguida, por falta
de quórum. Ela não se manifestou sobre a prisão dos cinco vereadores.
Já a Prefeitura de Morada Nova informou que não é alvo da investigação e não
possui qualquer envolvimento com os fatos apurados. "A Prefeitura reafirma
seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela
investigação, confiando que os fatos serão devidamente apurados dentro do
devido processo legal".
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