terça-feira, 17 de março de 2026

Vereador investigado por suspeita de ter recebido dinheiro de facção vai para prisão domiciliar por ser advogado

 Júnior do Dedé e outros quatro vereadores de Morada Nova foram presos na última quinta-feira por suspeita de financiamento ilegal de campanha eleitoral

Vereador de Morada Nova preso em operação da PF, Júnior do Dedé obteve direito de ficar em prisão domiciliar

Um dos cinco vereadores presos na última quinta-feira (12) durante operação contra financiamento ilegal de campanhas eleitorais, José Gomes da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Dedé (PSB), obteve, nesta segunda-feira (16) na Justiça o direito de permanecer em prisão domiciliar por ser advogado. Ele deve utilizar tornozeleira eletrônica.
A "Operação Traditori", deflagrada pela Polícia Federal, investiga o suposto financiamento ilícito da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais no município de Morada Nova em 2024. Os agentes cumpriram 16 mandados de prisão preventiva - sendo cinco contra os vereadores, entre eles Júnior do Dedé. Os vereadores presos foram afastados das funções públicas.
A defesa de Júnior entrou com um pedido de habeas corpus alegando que o vereador possui inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o que, por lei, lhe dá o direito de ficar em uma Sala de Estado-Maior, "com instalações e comodidades condignas", ou em prisão domiciliar. Dedé estava preso na Delegacia de Capturas, em Fortaleza, local que, conforme sua defesa, não possui a infraestrutura à qual ele teria direito por exercer a advocacia.
A defesa do vereador alegou ainda que não haveria, no sistema prisional do Ceará, nenhuma sala com essas condições, por isso mantê-lo em uma prisão comum "configuraria constrangimento ilegal". A defesa destacou que, preso na delegacia, o vereador "se vê privado de sua liberdade de locomoção em um ambiente hostil e totalmente desconforme com as prerrogativas de sua profissão".
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) acatou o pedido da defesa, destacando que o advogado não foi condenado e está em prisão preventiva, por isso tem direito a estas salas especiais ou prisão domiciliar. A Corte ordenou ainda que ele utilize tornozeleira eletrônica, não saia de casa e não mantenha contato com nenhum dos envolvidos no processo, entre outras medidas cautelares.

Vereadores são alvos de operação da PF contra financiamento de campanhas eleitorais por facção em Morada Nova

A operação da Polícia Federal que levou à prisão dos cinco vereadores de Morada Nova teve início após um inquérito da Polícia Civil sobre tráfico de drogas identificar transações financeiras da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) para campanhas eleitorais do município em 2024.
Conforme a Delegacia de Morada Nova, uma investigação iniciada em 2024 levou à prisão, no início de 2025, de cerca de 21 alvos da facção, entre eles o responsável financeiro na região. Ao analisar as movimentações financeiras, os investigadores descobriram transferências de um dos criminosos para campanhas eleitorais de 2024.
Os investigados são suspeitos de cometer os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas, além de crimes eleitorais. Os vereadores não são suspeitos do crime de tráfico de drogas.
Por envolver crime eleitoral, a Delegacia de Morada Nova compartilhou as informações com a Polícia Federal, que iniciou as próprias investigações relacionadas ao envolvimento do grupo criminoso com as eleições municipais.

Quem são os vereadores presos

O presidente da Câmara Municipal de Morada Nova, Hilmar Sérgio (PT), está entre os vereadores presos nesta quinta-feira (12) na "Operação Traditori". Conforme apurado com uma fonte da Câmara Municipal, foram presos pela Polícia Federal os seguintes vereadores:

Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT) - presidente da Câmara de Morada Nova.

Lucia Gleidevania Rabelo - Gleide Rabelo (PT) - secretária da mesa diretora da Câmara

Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT).

José Regis Nascimento Rumão (PP).

José Gomes da Silva Júnior - Júnior do Dedé (PSB), que está licenciado da vereança e, desde setembro de 2025, atua como secretário de administração da Prefeitura de Morada Nova. Foi para prisão domiciliar.

Conforme o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a decisão também teve como alvo o ex-vereador José Weder, cujo mandato havia sido cassado pela Justiça Eleitoral. Em relação a ele, foram autorizadas medidas de busca e apreensão, além de cautelares patrimoniais, não tendo sido decretada prisão.
A Câmara, que é formada por 15 vereadores, divulgou uma comunicado nas redes sociais do órgão informando sobre a suspensão das atividades nesta quinta-feira. A vice-presidente da Câmara, a vereadora Jane Martins, disse que sessão legislativa foi iniciada, mas teve que ser encerrada logo em seguida, por falta de quórum. Ela não se manifestou sobre a prisão dos cinco vereadores.
Já a Prefeitura de Morada Nova informou que não é alvo da investigação e não possui qualquer envolvimento com os fatos apurados. "A Prefeitura reafirma seu respeito às instituições e ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, confiando que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal".

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