quarta-feira, 16 de junho de 2021

Violência da PM em protesto contra Bolsonaro - Saiba quem é o policial suspeito de atingir olho de homem com bala de borracha

Segundo documentos da SDS, o terceiro sargento Reinaldo Belmiro Lins disparou o tiro de bala de borracha que tirou a visão de um dos olhos do arrumador de contêineres Jonas Correia de França, de 29 anos, em 29 de maio, no Recife

Terceiro sargento Reinaldo Belmiro Lins disparou tiro de bala de borracha que tirou a visão de um dos olhos de Jonas Correia de França

O terceiro sargento Reinaldo Belmiro Lins é o principal suspeito de disparar o tiro de bala de borracha que tirou a visão de um dos olhos do arrumador de contêineres Jonas Correia de França, de 29 anos. O trabalhador foi ferido na violenta repressão ao protesto pacífico contra Bolsonaro (sem partido), no Recife, dia 29 de maio.
O Boletim Geral da secretaria, publicado em 5 de junho, informou que a Corregedoria Geral instaurou um conselho de disciplina para apurar a conduta de Reinaldo. Outra portaria, publicada pela SDS no dia 15 de junho, detalha o afastamento do PM do Batalhão de Choque.

Documento diz que, diante da conduta atribuída a ele, determina o afastamento preventivo pelo prazo de 120 dias

O documento, assinado pelo Secretário de Defesa Social, Humberto Freire, diz que, diante da conduta atribuída a ele, determina o afastamento preventivo pelo prazo de 120 dias, que pode ser renovado pelo mesmo período.
A portaria afirma que a medida é necessária para garantir a fase de instrução do processo, a ordem pública e a viabilização da correta aplicação de uma eventual sanção disciplinar.
De acordo a própria SDS, apenas o policial identificado como autor do tiro de elastômero, ou seja, bala de borracha que atingiu Jonas Correia, teve afastamento disciplinar.
As portarias da SDS apontam que, dos 16 agentes de segurança afastados devido à ação truculenta contra manifestantes e pessoas que passavam pelo local em que o protesto ocorreu, o sargento Reinaldo Belmiro Lins foi o único submetido ao conselho de disciplina.


Documento mostra que Reinaldo Belmiro Lins foi o único submetido ao conselho de disciplina

Os outros 15 PMs permanecem nas unidades, realizando apenas trabalhos administrativos. O ex-secretário de Defesa Social Antonio de Pádua e o ex-comandante da PM Vanildo Maranhão deixaram os cargos.
Durante o ataque, a vereadora do Recife Liana Cirne (PT) foi agredida com spray de pimenta e várias pessoas foram atingidas por balas de borracha. Além disso, policiais foram filmados atirando em quem tentava socorrer os feridos e contra prédios da Rua da Aurora.
O sargento do Batalhão de Choque teve que entregar o armamento e a carteira funcional da Polícia Militar e aguarda a conclusão do inquérito da Polícia Civil, bem como dos procedimentos administrativos da Corregedoria da SDS. São, ao todo, nove procedimentos na secretaria.
Entre os 16 policiais afastados após a ação truculenta da PM para reprimir o ato estão três oficiais: o tenente Tiago Carvalho da Silva e o capitão Élton Máximo de Macedo, ambos do Batalhão de Choque, e o major Gilson Monteiro da Silva, do 13° Batalhão.
O governo afastou, ainda, os policiais militares envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne com spray de pimenta: o sargento Ronaldo Santos de Lima e os soldados Paulo Henrique Ferreira Dias, Aberlryton José Mendes de Aguiar e Lucas França da Silva.

O que diz a SDS - Por meio de nota, a SDS confirmou que 16 policiais, sendo três oficiais e 13 praças, estão afastados de suas funções operacionais enquanto respondem a processos disciplinares e que, em um dos casos, houve afastamento cautelar, com recolhimento de armamento e carteira funcional.
De acordo com a SDS, somente com o avançar das investigações, será possível elucidar a atuação de cada policial em relação aos fatos ocorridos naquela ocasião.
A SDS informou, ainda, que as identidades desses policiais não estão sendo divulgadas ou confirmadas em cumprimento à Lei de Abuso de Autoridade.

Quem deu a ordem - A ordem para dispersar manifestantes foi dada pelo Comando Geral da Polícia Militar, de acordo com um documento de comunicação interna da PM, publicado em um site do governo do estado.
O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Humberto Freire, justificou que a ação de dispersão pode ocorrer em determinados casos, de acordo com um "critério emergencial".
Há nove investigações em curso na Corregedoria-Geral da SDS. Entre os problemas investigados na ação truculenta da corporação, estão desvio de conduta, uso irregular de balas de borracha e legalidade de atuação da PM.
De acordo com a SDS, os trabalhos "estão sendo conduzidos com dedicação, técnica, isenção e dentro da legalidade para, no menor tempo possível, elucidar os fatos ocorridos e responsabilizar policiais que porventura tenham cometido infração disciplinar".

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