quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Delegada condenada na Justiça Federal é absolvida no TRF - Outros policiais do CE têm penas reduzidas

Todos eles foram alvos da Operação Vereda Sombria, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Ceará

Na época da operação, a cúpula da DCTD foi afastada da Especializada

A delegada da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Patrícia Bezerra, foi absolvida nesta quinta-feira (14), em decisão proferida no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, em Recife. Ela e outros 12 policiais foram condenados na Justiça Federal, em dezembro de 2020, sob acusação de crimes como extorsão, corrupção, associação criminosa e envolvimento com tráfico de drogas.
Outros policiais civis acabaram beneficiados com redução de pena nesta quinta-feira. Todos eles foram alvos da Operação Vereda Sombria, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Ceará, quando a cúpula da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD) foi afastada.
Dentre os crimes apontados pela 1ª Instância da Justiça Federal estavam apropriação de dinheiro público, tortura, abuso de autoridade e organização criminosa. A investigação começou a partir da delação premiada de um traficante português preso em duas ocasiões pelos policiais civis da Especializada, por vender anabolizantes.

AGENTES COM PENAS REDUZIDAS

Rafael de Oliveira Domingues - inspetor / redução da pena, de 12 anos para 3 anos

Fábio Oliveira Benevides - inspetor / 9 meses por violação de domicílio e pena substituída por penas alternativas

Raimundo Nonato Nogueira Júnior - inspetor / 9 meses por violação de domicílio e pena substituída por penas alternativas

Antônio Chaves Pinto Júnior, inspetor

José Audízio Soares Júnior, inspetor

Antônio Henrique Gomes de Araújo, inspetor

João Filipe de Araújo Sampaio Leite (delegado do Piauí, ex-inspetor da PCCE)

Francisco Alex de Souza Teles, inspetor

Petrônio Jerônimo dos Santos, inspetor

Allan Wagner de Oliveira, inspetor

MAIS SOBRE A OPERAÇÃO - Patrícia Bezerra era delegada titular da DCTD quando foi alvo da primeira fase da operação. Em dezembro de 2017 a investigação foi a conhecimento público e a policial foi afastada da Especializada. Patrícia foi condenada pelo crime de organização criminosa.
Em 1º Grau, a pena contra a delegada foi de sete anos de reclusão, perda do cargo e interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de oito anos subsequentes ao cumprimento da pena.
No ano de 2020, o juiz Danilo Dias disse nos autos, não ter dúvidas que "Patrícia Bezerra tinha pleno conhecimento dos inúmeros abusos policiais praticados no âmbito da delegacia da qual era titular - tendo, inclusive, participado de parte deles" e ser "impossível cogitar de manter pessoas como os acusados no exercício de uma função pública - ainda mais de natureza policial, que exige uma idoneidade qualificada e um comprometimento acentuado com a legalidade no cumprimento do dever público
Outros dois delegados lotados na DCTD foram alvos da operação. No entanto, a Justiça decidiu pela inocência de Lucas Saldanha Aragão (à época diretor-adjunto da Especializada) e Anna Cláudia Nery.

NEGOCIATA - Conforme a acusação, os policiais civis entravam em negociação com suspeitos de tráfico de drogas e tiravam vantagem para si. Consta no processo que os policiais passaram a ser investigados após subtrair ou pedir dinheiro, ou material ilícito, como drogas e anabolizantes, em troca de relaxar o flagrante ao criminoso.
O português Carlos Miguel de Oliveira Pinheiro firmou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) no ano de 2016 e relatou que teve bens subtraídos por policiais civis nas duas vezes que foi preso. Diante da delação, o MPF encaminhou o caso à Polícia Federal, que iniciou a investigação do caso.

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